Uma casa em Betânia

Mt 26:6-13; Mc 14:3-9; Lc 10:38-42; Jo 11:1-45; 12:1-8.

“Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-O em sua casa” (Lc 10:38). “Seis dias antes da páscoa, foi Jesus para Betânia, onde estava Lázaro, a quem Ele ressuscitara dos mortos. Deram-lhe, pois ali, uma ceia” (Jo 12:1-2).

Nos impressionam as descrições que a palavra de Deus faz acerca desta casa, assim como ficamos impressionados com o desejo do Senhor em hospedar-se ali.

Ao lermos os relatos bíblicos com referência a esta casa, podemos concluir que era uma casa modesta, humilde, muito simples, mas que possuía como adorno a sinceridade, a honestidade e o carinho de pessoas simples, desprovidas de qualquer vínculo com o orgulho e a altivez provindas de uma posição social elevada.

As características desta casa combinavam com as características do próprio Senhor Jesus. Ao lermos as escrituras do Velho Testamento, encontramos na profecia de Isaías palavras que descrevem estas características, e que denotam a veracidade do que acabamos de dizer acima. Diz Isaías: “Como pasmaram muitos à vista dEle, pois o Seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a Sua aparência mais do que a dos outros filhos dos homens. Porque foi subindo como renovo perante Ele, e como raiz duma terra seca; não tinha aparência nem formosura; e, olhando nós para Ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais indigno entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos: e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dEle caso algum” (Is 52:14; 53:2-3).

Foi assim que o Espírito Santo apresentou o Unigênito do Pai nesta profecia tão maravilhosa. Encontramos no Novo Testamento, mais especificamente no evangelho de João, a confirmação, ou melhor, o cumprimento literal desta profecia, quando João, também usado pelo Espírito Santo, escreveu: “Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam” (Jo 1:11).

A casa de Marta, Lázaro e Maria, era desconhecida e, certamente, desprezada pelos seus contemporâneos; mas esta humilde casa abrigou o Senhor Jesus e fez provisão para Suas necessidades, quando andou aqui entre nós. Ali o Senhor encontrou aquilo que o mundo não lhe deu. O mundo não O conheceu (Jo 1:10), mas esta família, não só conheceu o Senhor Jesus, como também abriu sua modesta casa, para o abrigo e descanso daquele que Se tornou em grande amigo e aliado.

As experiências que o Espírito Santo narrou para nós, experiências passadas nesta humilde casa de Betânia, são de um valor extraordinário, e possuem ensinos que na verdade exercitam nossos corações e dão dinâmica à nossa vida.

Certamente a primeira narrativa está em Lc 10:38-42. É interessante o que temos descrito aqui! Nesta passagem é feito menção apenas de Marta e Maria, e é de muito valor observar a ação de cada uma delas nesta passagem.

  • v. 38 diz que Marta era hospitaleira (hospedou-O em sua casa).

     

  • v. 40 diz que Marta era uma mulher trabalhadora (agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços).

  • v. 40 também diz que ela reconhecia a grandeza e a dignidade da pessoa que hospedara (“Senhor”, disse ela).

  • v. 40 ainda fala do seu apreço e preocupação com o hóspede (“Senhor, não te importas que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha?”) É verdade que nisto, Marta revela falta de sabedoria, mas o Senhor usou esta ocasião para falar profundamente ao seu coração e transmitir-lhe a sabedoria necessária. Em cap. 11 de João, lemos: “Ora, amava Jesus a Marta e a sua irmã e a Lázaro… Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao Seu encontro e disse-lhe: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão” (Jo 11:5, 20-21).

  • v. 41 apresenta a repreensão do Senhor em vista do questionamento de Marta (“Marta, Marta, andas inquieta e te preocupas com muitas coisas”).

  • v. 39 diz que Maria tendo o Senhor em casa, aproveitava Sua presença para aprender dEle (assentava-se aos Seus pés e ouvia Sua palavra).

  • v. 42 vemos a aprovação do Senhor para a ação de Maria (“Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”).

É impressionante observar esta mulher nas ocasiões em que a palavra de Deus faz referência a ela.

A primeira vez é aqui em Lucas 10, e encontramo-la nesta ocasião alegre, feliz, sentada aos pés do Senhor, ouvindo as palavras de graça que saiam dos Seus lábios (Lc 4:22).

A segunda vez que a encontramos é no evangelho de João 11:32, e agora a situação não é de alegria e nem de felicidade, pelo contrário, agora a tristeza tomou conta do seu terno coração, e nesta condição desfavorável, ela está novamente aos pés do Senhor, pois sabia que somente ali poderia encontrar o consolo e o conforto que seu terno e aflito coração necessitava. Está mulher tão meiga, tão afável, tão terna, encontrou aos pés do Senhor Jesus aquilo que o mundo nunca lhe proporcionou. Seu amor pelo Senhor era tão grande e sua confiança nEle tão elevada, que o próprio Senhor não Se conteve em vê-la chorar e chorou também (Jo 11:33).

Depois encontramos esta mulher na casa de Simão, o leproso, e ali sua devoção ao Senhor se manifesta de uma forma notável. Isto está registrado nos capítulos 26 de Mateus, 14 de Marcos e 12 do evangelho de João. A missão do Senhor está chegando ao fim, o pecado da humanidade lhe oprime por todos os lados, e por fim O levará a morte. Como disse Caif*s: “Convém que morra um só homem pelo povo … e não só pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus, que andam dispersos” (Jo 11:40-52).

Entretanto, antes que este momento horroroso chegue, Maria trouxe refrigério e alívio ao coração do Senhor, ao quebrar o frasco daquele valioso perfume e ungir a Sua cabeça com o precioso bálsamo de nardo puro, como demonstração da sua apreciação e devoção por aquele que havia se tornado a mais profunda devoção do seu doce e amável coração. O amor desta mulher foi aceito e apreciado pelo Senhor Jesus, e, segundo a Sua instrução, deveria ser contado onde o evangelho fosse pregado, para memória dela (Mt 26:13; Mc 14:9).

Sabemos que o seu ato não foi entendido pela maioria dos presentes, mas ao mesmo tempo, as atitudes manifestadas demonstraram o que estava escondido nos seus corações como objeto de apreciação. O valor do bálsamo era enorme para os presentes, mas o Senhor Jesus era incomparável para Maria. Seu valor e seu apreço para o seu meigo coração excediam a tudo quanto possuía, estava disposta a dar tudo pelo Senhor, o principal objeto do seu amor.

Finalizando, podemos imaginar o quanto isto significou para o Senhor Jesus. Quando tudo Se lhe apresentava contrário, quando as trevas e o poder do inimigo já se manifestavam, quando o momento mais tenebroso da Sua existência se aproximava (pensamos no momento de ser feito pecado por nós), quando sozinho deveria tratar do grave problema da restauração de todas as coisas, quando tudo isto estava tão perto e era tão real; apesar de toda esta amargura e de todo este sofrimento, Ele recebeu alívio através da demonstração de amor e de carinho desta humilde mulher, uma devoção tal, que fez a casa toda exalar o precioso perfume da sua apreciação pelo seu amável Senhor e Salvador.

Que devoção! Que amor! Que legado, ela nos dá! Que possamos imitá-la! Que possamos também demonstrar por ações o quanto o Senhor Jesus é suficiente para nós, e que nosso amor por Ele está acima de todas as coisas. Que Ele seja para nós a principal porção dos nossos corações e que encontremos nEle tudo quanto ansiamos. Ele é digno do nosso amor e da nossa adoração. Amém!

João Batista Carneiro - Gama (DF)

 


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