Maria, a Mãe de Jesus

*Genésio de Carvalho.

Cerca de 05 (cinco) séculos antes de Jesus nascer, o profeta Isaías (Is 7:14) avisou: "Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel" (Deus conosco).

O Senhor, se quisesse, poderia ter-se revelado ao homem de outra forma, também visível. Afinal Ele é Onipotente, Onisciente e Onipresente! No entanto, pelo seu infinito e incondicional amor a nós, quis assumir a nossa humanidade, sofrer a nossa sede, padecer a nossa fome, gemer e chorar com as nossas dores, ferir-se com os nossos espinhos e morrer a nossa morte. Ele quis identificar-se com a nossa humanidade, para que o homem, tão limitado pelo pecado, pudesse identificar-se com a Sua divindade. E assim, Deus escolheu ser homem (Jesus Cristo = Deus-homem). Escolheu nascer de uma mulher. Escolheu, então, Maria para ser mãe do Filho do homem.

Podemos imaginar que, por causa da profecia de Isaías, muitas mulheres daquele tempo nem se davam em casamento, ou, quando se casavam, preservavam-se virgens, cada qual vivendo a esperança de ser a escolhida de Deus para ser mãe do Seu Filho. Qual mulher não gostaria de ser a mãe do Filho de Deus?!

Mas o Senhor escolheu Maria! Pouco tempo antes da data designada para o seu casamento com José, apareceu-lhe o anjo Gabriel, e anunciou-lhe que, por ação de Deus, seria ela a mãe do Messias. Lucas narra o fato em seu Evangelho (cap.1, vers. 26 a 56): "...Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; e reinará eternamente sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. Então Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão? Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há de nascer será chamado santo, Filho de Deus...".

E assim foi feito. A Palavra do Senhor se cumpriu.

Mãe maravilhosa e exemplar, Maria, já casada com José, cuidou de Jesus com muito amor. Percebe-se a forma atenciosa, terna e carinhosa com que aquela família se tratava. Podemos acompanhar esse andamento no mesmo Evangelho de Lucas (cap.2, versículos de 1 a 52). Por seu lado humano, Jesus fez questão de obedecer, honrar e respeitar seus pais materiais; afinal, ele assumiu, integralmente, a nossa humanidade. Por seu lado divino, Cristo logo começa a deixar claro que Ele é o Filho de Deus. Vejamos os versículos 46 a 50, do cap. 2 de Lucas: Ainda adolescente, seus pais "... o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. Quando (seus pais) o viram, ficaram maravilhados, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que procedeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos. Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabeis que eu devia estar na casa de meu Pai? Eles, porém, não entenderam as palavras que lhes dissera".

Realmente, seres carnais têm dificuldade para entender Jesus Cristo! Até seus pais!!

No Evangelho de João, capítulo 1, versículos de 1 a 4, encontramos o seguinte: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez". Nos versículos de 9 a 14, temos: "... a saber, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem. O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, a glória do unigênito do Pai"

Isaías profetizara que Jesus "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso" (Is 53:3s). Continuando a leitura, vemos que o Senhor Jesus Cristo, verdadeiramente, tomaria sobre si as nossas enfermidades...; que seria ferido e esmagado por causa das transgressões e iniquidades do ser humano; que o castigo  que nos traria a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras seríamos sarados....

"Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, ..." (Hb 1:1-2).

Se entendermos adequadamente, tomaremos consciência de que existe uma sequencia lógica entre o Antigo e o Novo Testamentos, cuja figura central é Cristo. Toda a Bíblia, de Gênesis a Apocalipse, é centrada em Jesus. Jesus Cristo é o ponto culminante, a Revelação Especial. É o cumprimento da Promessa. É a própria Promessa. É a Palavra de Deus especialmente revelada.

O Evangelho de Mateus, capítulos 1 e 2, ajuda a esclarecer essa questão. Veja o cap. 1, vers. de 1 a 17, por exemplo.

Outros acontecimentos em que, durante o ministério do Salvador, se manifesta Maria:

1. Casamento em Caná da Galiléia (João 2:1-11) - "... . Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora. Então, ela falou aos serventes: Fazei tudo o que ele vos disser" (versículos 4 e 5).

2. Tentativa de, com os outros irmãos, procurar restringir a ação de Jesus, que eles julgavam estar fora de si (Marcos 3:21 e  3:31-35).

3. Maria acompanhou Jesus ao Calvário e ali esteve junto à cruz. "Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí o teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa" (João 19:26-27).

4. Maria era uma das mulheres que estavam com os discípulos no cenáculo, depois da ascensão de Cristo, perseverando unânimes em oração (Atos 1:14).

A partir daí, ela não se menciona mais na Bíblia.

Conclusão: Não há vestígio algum de adoração a Maria. Jesus é que é o Senhor Adorado, a quem todos devemos servir com humildade. "Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor... Todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus. Porque está escrito: ...diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho... Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (Rm 14:9-12). Até a própria mãe cantou em adoração ao filho Jesus: "A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador, porque contemplou na humildade da sua serva. Pois, desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada(*), porque o Poderoso me fez grandes coisas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem" (Lucas 1:46-50).

(*) “Bem-aventurada” significa “muito feliz”, nada mais. “Bem-aventurado” jamais significou “digno de adoração”. Se fosse assim, todos os “bem-aventurados” de Jesus Cristo seriam “dignos de serem adorados”. Repetindo: “bem-aventurados” é a mesma coisa que “muito felizes”. Veja o evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus, capítulo 5, versículos de 3 a 11.

O sincretismo religioso é que transformou a mãe de Jesus em estátuas para adoração, cada tipo com um nome diferente, a exemplo dos adoradores de Diana (nome latino da deusa grega Ártemis).

Havia em Éfeso um famoso templo para os adoradores de Ártemis lhe prestarem culto (Atos 19:23-41). Pensava-se, naquela cidade, que o templo era o sustentáculo de todas as criaturas vivas. E os efésios acreditavam que aquela imagem tinha caído do céu. O templo era servido por um grupo de sacerdotes e por virgens "consagradas".

A adoração, que deveria ser prestada ao Senhor Jesus, deixou de existir. O que há hoje tem origem na mitologia; é fruto do paganismo, passado através da tradição antibíblica, anticristã. Templos são construídos em nome de padroeiras que nada podem fazer porque são "ídolos de prata e ouro, obra das mãos de homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem; têm nariz e não cheiram; suas mãos não apalpam; seus pés não andam; som nenhum lhe sai da garganta. Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem e quantos neles confiam" (Salmos 115:5-8). Veja Isaías, capítulo 44, versículos de 9 a 20 (A loucura da idolatria).

"Deus é Espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24). "Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (I Tm. 2:5). Somente Jesus Cristo é digno de adoração, honra, louvor e glória, "em espírito e em verdade". Ele próprio é quem diz: "E, assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição. Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios; mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens" (Mt 15:6-9).

Compreenda que somente Jesus Cristo deve ser adorado, louvado e reconhecido como seu único Senhor e Salvador. A Ele, pois, toda honra, toda glória e todo louvor. Amém.

*Bacharel em Teologia e Bancário aposentado.

 


Estudos Bíblicos