15 Perguntas Sobre a Questão das
Leis Bíblicas de Alimentos Imundos

1. Se em Gênesis 7:2 Deus classificou para Noé os animais como limpos e imundos, com sete vezes mais de limpos acolhidos na arca porque seriam usados pelo homem para comer (e sacrificar ao Senhor), como ainda se alega que tal classificação foi desfeita por Deus em Gên. 9:3, ao Ele dizer ao mesmo Noé que “tudo quanto se move” poderia ser usado como alimento, para depois o mesmo Deus voltar atrás e dar leis reforçando o que havia dito a Noé inicialmente? Que Deus mais volúvel é esse?!

Obs.: O “tudo quanto se move” é depois detalhado por Moisés ao determinar na lei que só animais vivos, não os encontrados mortos, deviam servir de alimento (Êxo. 22: 31; Lev. 22: 8). No próprio contexto há restrições quanto ao consumo de sangue (9:4), o que prova que Deus não estava estabelecendo nenhum “liberou geral” sobre comer do que se quisesse.

2. Sendo que Deus disse serem-Lhe “abomináveis” as carnes imundas enumeradas em Deut. 14 (vs. 3), onde é dito que Ele mudou de opinião desde então, pois quando todas as nações e línguas forem reunidas (e essa não é uma escatologia só para Israel) é dito que os que comem carne de porco, igualada à de rato, serão destruídos (Isa. 66:15-18)?

Obs.: Paulo confirma que quem destruir o templo do Espírito Santo, que é o nosso corpo, também será destruído (1 Cor. 3:17)?

3. Se ao dizer que o que contamina o homem é o que sai dele, não o que entra pela boca (Mar. 7:15), estaria Jesus aprovando o fumar, já que a fumaça do cigarro entra pela boca (e também bebidas alcoólicas, drogas ilegais, etc.), o que, então, não contaminaria o homem?

Obs.: Evidentemente que tais coisas contaminam física e mentalmente o homem. O contexto mostra que Cristo falava de "contaminação cerimonial".

4. Como poderia Cristo estar purificando alimentos imundos na refeição narrada em Marcos 7 e Mateus 15, sendo que era uma refeição judaica, na qual não se serviriam carnes imundas?

5. Como poderia Jesus pôr-se a abolir as leis alimentares, quando declarara antes que não veio abolir a lei, e sim cumpri-la, adicionando a advertência de que quem ensinasse a desobediência às leis divinas teria de ser considerado “o mínimo no reino dos céus” (ver Mat. 5:17-19)?

Obs.: Por certas interpretações de alguns exegetas da Bíblia, Cristo teria de ser considerado, Ele próprio, “o mínimo no Reino dos céus”, caso Se pusesse a abolir qualquer mínimo preceito da lei. Além disso, estaria fazendo isso "antes da hora", pois a abolição das leis não se deu na cruz?

6. O tempo de escrita das epístolas de Romanos e Coríntios é de somente um ano. Assim, o tema em discussão era o que preocupava a comunidade cristã por todo lado na época--o problema de alimentos sacrificados a ídolos. Por que Paulo mudaria de assunto sem avisar ninguém, abruptamente alterando o tema das carnes sacrificadas a ídolos para tratar da diferença entre carnes limpas e imundas?

Obs.: Em 1 Cor. 8:1 ele não diz, “no que se refere às CARNES sacrificadas a ídolos”, e sim: “No que se refere às [u]coisas sacrificadas a ídolos[/u]. . .”. E muito menos diz, “no que se refere a CARNES sacrificadas a ídolos, bem como a proibição de alimentos imundos”. Em 1 Cor. 10 claramente o teor das discussões é “o cristão deve fugir da idolatria”, como é o subtítulo dos vs. 14 em diante na edição da Bíblia Almeida de 1969. A New International Version diz: “Paulo discute o comer alimentos sacrificados a ídolos e a necessidade de ser sensível a outros” como título para 1 Coríntios 8, e “Evitando qualquer associação com idolatria” para os vs. 10:14 a 22”, e “Liberdade com respeito a alimentos oferecidos a ídolos”, para vs. 23 a 11:1.

7. Por que, na visão do lençol de Atos 10, Pedro resistiu à ordem de comer carnes imundas (vs. 14), sendo que, como um dos principais líderes da Igreja cristã, estaria muito bem ciente da abolição das mesmas, se fosse o caso?

Obs.: Isso mostra que ele não havia aprendido com Jesus nem com seus companheiros apostólicos nada de abolição das leis de restrições alimentares até aquele tempo.

8. Por que Pedro jamais interpreta a visão do lençol como significando a purificação das carnes imundas, e sim dos “corações” dos gentios (ver Atos 15:9)?

Obs.: Obviamente todos os elementos da visão tinham caráter puramente simbólico, e ao interpretar a visão  mais adiante (Atos 10:28, 34, 35 e 11:1-18) ele não deixa a mínima pista de que entendera algo relacionado com comidas, e sim com PREGAÇÃO aos gentios.

9. Onde está a conexão linguística entre Romanos 14 e 1 Coríntios 8 e 10, além de Atos 10 para justificar a abolição das carnes imundas por tais textos?

Obs.: Pedro em Atos 10 usa ambas as expressões, “comum” (koinon) e “imundo” (askarthos), claramente diferenciando os dois tipos de itens. O que era “imundo” seriam as carnes como vistas por ele em visão, e o “comum” era o que representava coisas de que os judeus desprezavam, inclusive as pessoas de outras etnias. Paulo em Romanos 14 nunca usa "askarthos", e fala em "broma", que se refere a alimentos em geral, não somente a carnes.

10. Sendo que alguns teimam em que houve uma ordem literal para Pedro comer os animais imundos do lençol, como se pode matar e comer coisas vistas em visão?

Obs.: Seria o mesmo que querer chupar um sorvete que aparece na telinha da TV. Também não faz sentido ele comer tantos dos tais animais; iria morrer de congestão. Só uma sucuri daria para alimentar toda uma tropa.

11. Se as leis alimentares tivessem sido abolidas, como é que João, pelo final do 1º. século, reforça que nada sabia quanto a terem findado, pois usa a linguagem de “aves imundas” em Apo. 18:2?

12. Paulo diz claramente que o crente deve DISCRIMINAR com o que come e bebe, em 1 Cor. 10:31. Se ele defendesse o “liberou geral” faria sentido dizer que cada um cuidasse com o que come ou bebe, já que não haveria tal preocupação mais entre os crentes?

13. Onde está escrito que na passagem do Velho para o Novo Concerto, quando Deus escreve o que é chamado de “Minhas leis” nos corações e mentes dos que aceitam os termos desse Novo Concerto [Novo Testamento], Ele deixa de fora as leis dietéticas, que não sendo cerimoniais, não tinham por que ser abolidas (ver Heb. 8:6-10; 10:16)?

14. Como explicam que no Concílio de Jerusalém, em Atos 15, entre as recomendações de coisas de que os crentes gentios deviam abster-se, consta uma lista de três restrições alimentares (carne sufocada, alimentos sacrificados a ídolos e sangue) relativa à lei que supostamente já havia sido abolida (ver Lev. 17:10-14)?

Obs.: Se tais leis tivessem sido abolidas, os apóstolos não fariam tal recomendação.

15. Por que quando o autor de Hebreus (quase certamente Paulo) explica em detalhes o sentido das cerimônias e ritos de Israel, em Hebreus caps. 7 a 10, ele jamais trata das leis alimentares como tendo caráter prefigurativo, sendo que teriam findado também na cruz junto com as leis cerimoniais?

Prof. Azenilto G. Brito
Ministerio Sola Scriptura
Bessemer, Ala., EUA

 


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