10 Razões Por Que a Experiência da Transfiguração Não Comprova a Crença na Imortalidade da Alma


Como Entender o Episódio do “Espírito” de Moisés no Monte (Mateus 17: 1-8)

Alegam os dualistas que na cena da transfiguração (registrada em Mateus 17: 1-8) era “o espírito” de Moisés que lá aparecera, e não seu corpo glorificado, como sustentamos. A Bíblia não diz que era o espírito de Moisés que lá se achava. Esta é uma conclusão gratuita. Dizem os evangelhos que Moisés e Elias lá apareceram ao lado do Mestre, em pessoa, glorificados como o seremos algum dia se permanecermos fiéis até ao fim. Dizer que o texto alude a espírito é ir “além do que está escrito”. Consideremos 10 razões por que tal raciocínio é incorreto:

1o. – Porque Cristo lá Se achava CORPORALMENTE, porém transfigurado num ser resplandecente sem perder, contudo, Suas características pessoais. Ademais, Ele não iria contrariar a lei divina que proíbe terminantemente a consulta entre vivos e mortos (ver Deu. 18:10, 11; Isa. 8:19, 20), entrevistando-se com a “alma” de Moisés. Se Ele violasse tal lei, teria que ser considerado “o mínimo no Reino dos céus”, à luz de Suas próprias palavras em Mateus 5:19.

2o. – Porque Elias, que não provara a morte, também ali se achava corporalmente. Ou teria ele deixado o corpo inanimado ou tombado em algum canto do Céu, enquanto o espírito descera ao monte da transfiguração? Elias fora arrebatado vivo (2 Reis 2:9-14), e ao ingressar no Céu, sem dúvida seu corpo fora transformado, fora glorificado, pois “a carne e a sangue não podem herdar o reino de Deus;” nem a corrupção herdar a incorrupção”. Mas, lemos em Lucas 9:31 que Moisés e Elias “apareceram com glória”. Jesus também, pois toda a cena era uma antecipação da glória futura do reino.

3o. – Porque, sendo que os dois personagens lá se achavam com corpos glorificados, não faria sentido que somente Moisés lá estivesse em espírito. Seria uma “alma” visível, conversando com pessoas corporalmente presentes? Diz Marcos que ambos (Moisés e Elias) falavam com Jesus. Logo, não eram espíritos. Tão real era a cena ali no monte que Pedro propôs construir três tendas. “Uma para Ti [para Cristo], outra para Moisés, e outra para Elias”.  Mar. 17:4. É inadmissível construir tenda para um espírito. Não se tratava de visão, sonho ou alucinação de Pedro porque quase quarenta anos depois, bem lúcido ainda, referia-se ao fato: “nós vimos a Sua glória” (II Ped. 1:16-18). Vira a pessoa de Jesus, a pessoa de Elias e a pessoa de Moisés. O fato de os dois personagens desaparecerem depois não prova que eram espíritos, pois o corpo glorificado também tem esta propriedade. Jesus, ressurreto, penetrou num cômodo completamente trancado (ver João 20:19).

4o. Porque há evidências bíblicas e históricas que apontam à ressurreição de Moisés. Lemos que, de fato, ele morreu e foi sepultado na terra de Moabe, no entanto, ninguém soube o local de sua sepultura. Deu. 34:6. Havia nisso um desígnio da parte de Deus.

5o. Porque todos os que morrem são contados como prisioneiros de Satanás, no sentido de estarem na sepultura, retidos, inativos, vencidos. Lemos, porém, em Heb. 2:14, que Jesus, “pela Sua morte aniquilou o que tinha o império da morte, isto é, o diabo”. Pois bem, cremos que Moisés escapou da prisão da morte, sendo este o primeiro desafio que Satanás enfrentava nesse campo.

6o. Porque lemos em Judas 9 que houve disputa entre o Arcanjo Miguel e o diabo acerca DO CORPO de Moisés. A disputa não era sobre a sepultura, mas sobre o corpo do servo de Deus. Satanás reclamava Moisés como seu cativo, porém Miguel também o reclamava para si. Não seria admissível que houvesse uma disputa sobre o corpo de Moisés, a não ser que se tratasse da ressurreição desse corpo. A ambição maior do inimigo é manter mortos PARA SEMPRE todos os que são filhos de Deus, e dormem nos seus túmulos. Para quê ele desejaria um cadáver?

7o. – Porque em Romanos 5:14 temos esta revelação: “No entanto, a morte reinou desde Adão até MOISÉS.  .  . Notemos o verbo reinar, que quer dizer, dominar, prevalecer. Ora, depois de Moisés os homens continuaram morrendo, mas o texto acima nos diz que a morte teve domínio indiscutível sobre os mortais até MOISÉS. Em outras palavras, até Moisés ninguém se levantou do túmulo para provar que é possível reviver. Nisso o diabo viu seu império abalado. Vemos nisso uma referência paulina à ressurreição de Moisés, mesmo que num sentido secundário ao tratar do tema da pecaminosidade que domina os seres humanos desde o princípio.

8o. –Porque muitos comentaristas e eruditos também admitem a ressurreição de Moisés. Olshausen entende que a narrativa da transfiguração é literal, e no seu comentário sobre o acontecimento, afirma:

“Porque se admitimos a realidade da ressurreição do corpo e sua glorificação--verdades que indubitavelmente fazem parte da doutrina cristã--toda a ocorrência no monte não apresenta grandes dificuldades. A aparição de Moisés e Elias, que é tida por muitos como ponto assaz incompreensível, é facilmente concebida como possível, se aceitarmos a sua glorificação corporal”.

O notável comentarista Adão Clarke assim considera o texto de Mateus 17:3:

"Elias veio do Céu no mesmo corpo com que deixou a Terra, pois fora trasladado, e não viu a morte. (II Reis 2:11). E o corpo de Moisés fora provavelmente ‘ressuscitado, como sinal ou penhor da ressurreição; e como Cristo está para vir a julgar os vivos e os mortos--porque nem todos morreremos, mas todos seremos transformados (I Coríntios 15: 51)--Ele certamente deu plena representação deste fato na pessoa de Moisés, que morrera e então fora trazido à vida (ou aparecera naquele momento como aparecerá ressurreto no dia final), e na pessoa de Elias, que nunca provou a morte. Ambos os corpos (Moisés e Elias) apresentavam a mesma aparência, para mostrar que os corpos dos santos glorificados são os mesmos, quer a pessoa seja arrebatada (viva) ou ressuscitada (estando morta)".

9o. –  Porque os judeus criam na ressurreição de Moisés. Havia entre eles um livro apócrifo intitulado “Assunção de Moisés”. Crê-se geralmente que Judas 9 é nada menos que uma citação desse livro.

10o. – Porque temos a maior prova da ressurreição de Moisés no próprio fato de ele aparecer glorificado no monte.

Alguns citam I Cor. 15:20 para concluir que Cristo foi o primeiro a ser ressuscitado. Contudo, lendo-se I Reis 17:17-22; II Reis 4:32-36; Mat. 27:52 e 53; Luc. 7:14; João 11:43 e 44; Heb. 11:35, além de outras, vê-se que houve muitas ressurreições anteriores.. Mas ressurreição para a glória, a primeira foi a de Moisés.

Cristo, feito “as primícias dos que dormem,” não significa que fosse o primeiro da ressurreição, pois em outro texto semelhante a Tradução Brasileira reza: “seria Ele o primeiro que, pela ressurreição dos mortos, havia de anunciar a luz ao povo e aos gentios”. Atos 26:23.

E Boomfield, em seu comentário pondera:

"As palavras do texto podem ser traduzidas ‘depois da ressurreição dos mortos’ ou ‘pela ressurreição,’ sendo mais exata esta última".

Wakfield traduziu assim o passo: “Cristo sofreria a morte, e seria o primeiro a proclamar a salvação a Seu povo e aos gentios pela ressurreição dos mortos".

"Primícias" não está em relação com prioridade, mas com o símbolo. Relaciona-se com o molho movido que o sacerdote erguia na festa dos asmos, na dedicação dos primeiros frutos da colheita. Cristo era o Antitipo dos molhos, do mesmo modo como é chamado Cordeiro por ser Antitipo dos cordeiros do sacrifício, no ritual do santuário. Houve muitos cordeiros sacrificados antes dEle. Como Antitipo, Cristo é as primícias dos que dormem. Leia-se S. Tia. 1:18 e ver-se-á que também somos primícias. Em Apo. 14:4 se lê que os 144.000 são primícias também. E assim se desmantela mais uma ficção imortalista.

Prof. Azenilto G. Brito
Ministério Sola Scriptura
Bessemer, Ala., EUA

[Obs.: Este estudo baseia-se na discussão do assunto da imortalidade,
do livro Subtilezas do Erro, do autor Arnaldo B. Christianini].

 


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