Ao ensinarmos, devemos seguir
o exemplo de Jesus

"Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas,
pregando o evangelho do reino e curando toda sorte
de doenças e enfermidades entre o povo" (Mt 4:23).

INTRODUÇÃO

"Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas...". Mais adiante (Mt 9:35), a Bíblia nos informa que Jesus percorria todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas.

Podemos imaginar o Senhor Jesus locomovendo-se de uma cidade para outra, de povoado em povoado, passando por caminhos empoeirados, estradinhas de roça, terras desérticas, vales e montes... A multidão sempre ao redor dEle que, compadecido e cheio de misericórdia, parava para consolar alguém. Atendia uma multidão, exortava um apóstolo, curava as enfermidades de muitos... Percorria todos os lugares, sempre estendendo Sua santa mão aos caídos para levantá-los.

Levantá-los da podridão de seus trapos de imundície, como fez com um paralítico que sobrevivia por trinta e oito anos naquela situação de penúria.

Levantá-los da promiscuidade e adultério, como vez quando a vida de uma mulher iria ser tirada por apedrejamento e Ele, dizendo pouca coisa, levou os hipócritas acusadores a sentirem remorso e a abandonarem-na ao lado dEle.

Que belo abandono! O Mestre simplesmente olha nos olhos daquela ex-prostituta e lhe afirma, com mansidão e autoridade, que ela pode ir, pois Ele não vai condená-la. E ensina: "Vá, e não peques mais".

O Senhor Jesus Cristo, humildemente, tinha enorme compaixão pelas almas perdidas! Cada frase, cada palavra, era proferida com atenção e amor. Apenas o Seu olhar compadecido, por vezes calado, já significava um grande ensinamento.

Jesus Cristo não apenas fazia, mas, principalmente, dava Seu exemplo para que fosse seguido.

E, até aos fins dos tempos, será assim, pois a Sua palavra jamais passará!

JESUS, O MESTRE DOS MESTRES

"Percorria Jesus, ensinando nas sinagogas..."

Os pedagogos atuais, mestres, educadores ativos, têm buscado, urgentemente, métodos e técnicas modernas de ensino, objetivando a uma formação mais ampla dos seus aprendizes para a realidade da vida. Têm surgido várias escolas e sistemas educacionais com base numa filosofia e psicologia de ensino que procuram dar uma formação global ao educando. Principalmente agora, quando estamos vivendo num mundo globalizado.

Entretanto, a urgência tem prejudicado a escolha dos parâmetros mais adequados, os quais somente se encontram no ensino de Jesus, "O Mestre por Excelência".

O termo "sinagoga" significa, literalmente, "convenção" ou "assembléia". No tempo em que nosso Senhor Jesus Cristo andou nesta terra, havia muitas delas. A grande maioria dos países de todo o Império Romano possuía suas sinagogas. Em qualquer povoado, onde vivesse um pequeno número de judeus, ali havia uma. As sinagogas, além de outras funções, eram também escolas, onde as crianças aprendiam a ler e a escrever.

E Jesus aproveitou essa estrutura já existente para, não apenas transmitir informação, mas, sobretudo, vivenciar de tal maneira seus ensinos que deu a Seus seguidores a mais completa formação. Sua mensagem é dirigida ao homem global: físico e espiritual. Sua idoneidade para ensinar, o objetivo de Seu ensino, Seu material de ensino e a simplicidade de Sua linguagem são exemplos indispensáveis para os educadores de hoje.

Interessante! Jesus não começava de um ponto novo! Começava exatamente de onde o aprendiz estava.

Sua base era o Velho Testamento, o qual Ele tomou como Manual de Fé e Prática. No Velho Testamento encontram-se, em potencial, todos os grandes princípios que Jesus anunciou e desenvolveu em seu ensino.

Sabemos que, para a Lei, não importam as intenções da pessoa. P. ex.: Se um sujeito deseja matar alguém e chega a tomar algumas providências para consumar sua intenção (como: observar os hábitos de sua futura vítima, comprar uma arma...), ainda está salvo das penalidades da Lei. Se, porém, exteriorizar seu propósito, aí terá cometido um crime (crime de ameaça, ou de tentativa de homicídio, ou mesmo de homicídio).

Na Lei de Israel, ocorria a mesma coisa. As normas eram apenas exteriores. E em cada norma da Lei judaica existia um caráter proibitivo ou negativo: "É proibido matar"; "é proibido adulterar"; "é proibido roubar"...

Jesus deu a correta interpretação da Lei, com o objetivo de criar atitudes positivas no homem.

Por exemplo:

- "É proibido matar" passou a significar "amarás a teu próximo... ou mesmo a teu inimigo";

- "É proibido adulterar" passou a significar "pureza moral"...

Jesus tornou a Lei subjetiva, levando a sua influência às intenções do mundo interior do ser humano.

Ensinou, por exemplo, que:

- O que contamina o homem é o que sai do seu coração;

- Não basta não matar, mas é preciso não deixar haver no coração um sentimento de irritação e ódio, que poderá ser exteriorizado em ato de homicídio;

- Não basta não praticar o adultério, mas a intenção de adulterar, em si própria, já é adultério.

Para o Mestre Jesus, os atos são apenas a manifestação exterior, e social, do mal já existente no coração e, sob esse aspecto, precisa ser combatido e vencido.

O Mestre procurou interiorizar o Seu ensino no coração do homem. Aliás, esse fato confirmou profecias do Velho Testamento:

a) O Senhor havia dito: "Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis" (Ez 36:26-27).

b) "Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Jr 31:33).

O Senhor nos favoreceu o conhecimento de Sua doutrina, de Sua natureza e de Sua mensagem. A vida terrena, as obras e a natureza de Jesus, ensinados através de parábolas, exemplos e ações, são fundamentais para o trabalho dos educadores atuais.

CONCLUSÃO

A Epístola de Paulo aos Romanos (Rm 12:6) esclarece que todo cristão é dotado pelo Espírito Santo com algum "dom da graça", o que vale dizer que todo cristão tem certa "capacidade para o serviço do Reino". Os dons do Espírito Santo são atribuições que Ele nos confere, a fim de que os desenvolvamos para o crescimento da Igreja de Cristo. Entre eles, está o "dom de ensinar". A capacitação, embora dependa da vontade do cristão, é realizada pelo próprio Espírito Santo! Cada cristão precisa crer, entender e agradecer a Deus por esta bênção, e dedicar-se com esmero e alegria ao ensino, principalmente da Palavra de Deus, segundo a proporção de sua fé.

Seguindo o texto em Mt 4:23, os versículos 24 e 25 nos mostram que "... a fama de Jesus correu por toda a Síria;... E da Galiléia, Decápolis, Jerusalém, Judéia e dalém do Jordão numerosas multidões o seguiam".

O Senhor Jesus Cristo sabe se estamos (ou não) utilizando os dons que Seu Espírito nos conferiu para tentarmos ensinar como Ele, principalmente àqueles que ainda não ouviram falar dEle. Necessário e urgente é o ensino do evangelho, para trazermos os mortos no pecado aos pés de Cristo. Somente Ele pode ressuscitá-los!

A Ele, toda honra, glória e louvor!

Genésio de Carvalho

 


Estudos Bíblicos