A Vida Cristã em face aos Sofrimentos do Dia-a-dia

Leitura: Lm 3:37-40

Um dos livros mais antigos do mundo diz: “o homem nasce para as dificuldades, assim como as faíscas das brasas voam para cima”. (Jó 5:7)

Estas palavras verdadeiras são totalmente aplicáveis nos dias de hoje!

O sofrimento é o destino comum das pessoas em toda parte, tanto crentes como descrentes, porém, os crentes são vítimas de um sofrimento muito maior que as outras pessoas. Quantas vezes como o salmista perguntamos: “Será que Deus se esqueceu de ser misericordioso? Será que na sua ira negou sua compaixão?” (Sl 77:9). Philip Yancen disse: “A dor é o megafone de Deus, pode me afastar dele. Posso odiar a Deus por me permitir tal miséria por outro lado pode me levar até ele”.

A primeira coisa que precisamos aprender é que para o cristão, a reação ao sofrimento deve ser influenciada por seu conceito do que o Senhor Jesus suportou por ele na cruz. Não importa a fonte ou intensidade da dor a nós imposta, pensemos sempre que dor maior Ele sofreu por nós. É preciso reconhecer que a vida cristã é uma vida livre da penalidade do pecado no que diz respeito ao julgamento, mas não é livre dos resultados do pecado por causa da desobediência no paraíso. O pecado invadiu o universo perfeito criado por Deus e o sofrimento de forma inevitável passou ser presente companheiro em toda a raça humana. Em face disso muitos tem se perguntado: “O que eu faço com a minha dor?”. Meu querido irmão, o Senhor Jesus Cristo nunca prometeu uma vida fácil, Ele falou francamente a seus discípulos sobre o futuro, nada ocultou a eles, ninguém pode acusá-Lo de falsas promessas. Em Mateus 5, no sermão do monte, Ele ensinou sobre a necessidade de cada um levar a sua cruz; falou do ódio que teriam de suportar por parte do mundo; seriam presos, flagelados, levados a governadores e reis, até seus entes queridos os acusariam falsamente, e os perseguiriam. Como o mundo O odiou também os odiariam. Em João 16:2, talvez a maior definição, o aviso mais claro do preço a se pagar por segui-lo, “... chegará a hora em que todo os que vos matar julgará oferecer um culto a Deus”. Sendo assim irmãos, podemos esperar conflito, não uma vida fácil e prazerosa. No cap. 6:66 do mesmo evangelho, vemos a realidade de muitos que O seguira, mas não dispostos a negarem as suas próprias vidas por amor Dele recuaram. Lemos que se retiraram e não andaram mais com Ele. Irmãos temos sido como estes? Com sinceridade respondamos a Deus, somos ou temos sido como estes, desviados dos caminhos do Senhor por propósitos aparentemente justificáveis a homens, e como será no tribunal de Cristo? Será que as tantas desculpas dadas para nos mantermos nos caminhos de boa intenção, de omissão, de excursões cada vez maiores para o mundo, afastando das Suas verdades, afastando da Sua Palavra, para unicamente satisfazermos os desejos desenfreados da nossa carne, somos um destes? Ou como lemos em Hebreus 10:38-39: “mas o meu justo viverá pela fé, e se ele recuar minha alma não tem prazer nele. Nós, porém, não somos daqueles que retrocedem para a perdição, mas daqueles que crêem para conservação da alma”?.

Às vezes nossos fardos parecem grandes demais para qualquer um suportar, mas o Senhor Jesus tem um grande convite para nós: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei, tomai sobre vós o meu julgo e aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração, e acharei descanso para as vossas almas, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. (Mt 11:28-30). Vinde, tomai e aprendei, que palavras poderosas! Essas palavras contêm um convite para aceitar e tirar o peso dos nossos fardos e problemas.

Se os sofrimentos nos falam de rebeldia e pecado, a disciplina nos fala do Seu amor. Meditemos em Jó 5:17-18: “Eis que é feliz o homem a quem Deus reprova (disciplina), portanto não desprezes a correção do Todo-Poderoso, pois ele fez a ferida e a ligará, ele machuca e as suas mãos curam”. Precisamos estar com os corações entregues à vontade de Deus para nos deliciarmos nas suas promessas e realizações, Tiago 1:2-4, vemos que a vida cristã é uma vida plena de alegria. O cristianismo jamais destinou a ser algo para fazer as pessoas infelizes, o ministério do Senhor, foi um ministério de alegria. Que testemunho para o mundo seria se todos os crentes fossem pessoas evidentemente mais alegres. A alegria é uma das marcas do verdadeiro crente, a capacidade de se regozijar em qualquer situação é um sinal de maturidade espiritual. Quando o Senhor Jesus é a fonte de nossa alegria, não existem palavras para descrevê-la, é uma alegria inexprimível e gloriosa. Se o coração está em harmonia com Deus através da fé em Cristo, então transbordará otimismo e bom humor.

Irmãos! Se conhecêssemos verdadeiramente a miséria do pecado e o que ela fez Naquele que se deu por nós, certamente teríamos a alma inundada de gratidão diariamente Àquele que suportou o que nós merecíamos. Em Rm 8:18, o apóstolo Paulo nos fala que os sofrimentos desta vida não têm valor em comparação com a glória por vir a ser revelada em nós. Certamente que aqueles que não perdem de vista o céu, o Seu Salvador, a cruz, se mantêm serenos e alegres mesmo nos dias mais difíceis. Se as glórias do céu fossem mais reais para nós, a vida presente nos perturbaria menos.

O que devo fazer com a minha dor? Você, como reage? Será que a dor o aproxima ou o afasta de Deus?

Podemos nos ressentir do sofrimento, abatermos a chorar, mas também podemos aceitá-lo com alegria, por que sabemos que Deus está no controle de nossas vidas. Gostamos de cantar um hino que fala do céu: “Depois que Cristo me salvou em céu o mundo se tornou até do meio no sofrer é céu a Cristo conhecer”.

Quando o Espírito Santo estiver fazendo o que ele deseja na nossa vida seremos capazes de cantar este hino em todas as circunstâncias.

Conta-se uma história de Martinho Lutero, que passava por um período de tribulação e desalento, durante vários dias o seu ar sombrio invadiu a seu lar e aos poucos chegou a mesa da família, e dia-a-dia o acompanhava.Certo dia sua esposa veio e se apresentou diante dele vestida de luto como se fosse a um enterro, quando ele a perguntou  quem morrera, ela disse-lhe: “Martinho do jeito que você anda pensei que Deus  tivesse morrido e então vim preparada para seu enterro”. Tal atitude penetrou seu íntimo que prontamente Lutero resolveu não mais se abater com as preocupações desta vida. Que lição para nós hoje! O único motivo para tristeza do crente seria a morte de Deus, falo isso com toda reverência, ou seja, não temos motivos justificáveis para tal atitude que sem dúvida revela desacordo com a vontade de Deus ou desconhecer seus propósitos ou ainda não crê que Ele tem estado no pleno controle de tudo.

Deus nos dá tarefas difíceis e nos pede que as enfrentemos com alegria. Se atentarmos diligentemente à vida daqueles que pela fé romperam enormes barreiras, perceberemos que a graça de Deus como nos ensina o apóstolo Paulo é suficiente para todos os testes, oposições e adversidades. A graça que foi suficiente para o apóstolo, creio ser suficiente para nós também!

“Não temas ó pequenino rebanho, pois o vosso Pai agradou dar-vos o reino”. (Lc 12:32)

EDMILSON LIMA – Belo Horizonte (MG)

 


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